quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

O IMPENSÁVEL EM GIORGIO DE CHIRICO


O homem é Giorgio de Chirico!

Solitário passo entre as casas
- Sou Giorgio de Chirico!
O homem que sou
é um de Chirico...:
um Giogio de Chirico!

Em solitude absoluta
passo com o sapato
cujo chiado em atrito com o solo
canta a solidão relativa
reativa
ratificada
pela cantaria obrada em desenho de gárgula
no canto debuxado nas pedras
da igreja cujo cantochão
canta ao rés-do-chão
- ao rás do chão...,
razoavelmente

Passo no passo do sapato
que recolheu pedras no caminho
de Carlos Drummond de Andrade
cavalgando a mulinha do leite
qual fosse outro Dom Quixote de La Mancha,
digo : das minas gerais
de Minas Gerais
dos campos gerais...

Olhos d´água me molham o verso
- olhos na água que me espelha
e especula-me a solidão pétrea
de um Narciso-monge-cartuxo

Mesmo quem me toca
- toca-me tuba trombone saxofone
violino piano
ou instrumento de percussão
porquanto o homem carrega-os em si
no si musical da Musa
que inventou a música
o músico e o instrumento musical

Contudo Musa que é musa
é criatura de homem
- o criador da não-natureza
na cultura
objeto de estudo
para astuto etnólogo
empós etnografia de Malinovski
nas Ilhas Trobriand
assentados sobre atóis coralinos
( porém prefiro imaginar
a Polinésia para os Argonautas do polonês
- nautas em outras plagas
Melanésia Micronésia
território de Guam... )

O homem
o monge
o solitário...:
sou Giorgio de Chirico
e na minh'alma
a solidão tem tal acento tônico
tal tonicidade grave
que quando beijo
não me beija ela
pois quando ela beija
não há beijo meu
em correspondência
porque o beijo de Klint
nem o meu
nem tampouco o beijo dela
por mais sequioso ou ávido
que estejam os lábios carnudos
no vermelho do batom
não pode ser correspondido
- que é a solidão do homem
é barreira intransponível
ainda para a mulher amada! :
Ou o filho e a filha queridos
amados entes
( O ósculo e o amplexo
é sempre o de Heitor e Andrômaca
na escultura de Giorgio de Chirico
que olha para a perspectiva
do impensável filosófico
retratando a melancolia profunda
afiada pelo outono à tarde
- Ah! tudo é muito tarde!
para qualquer gesto desesperado
- de Klint! )

O homem sou eu
- e eu sou Giorgio de Chirico! :
ou a solidão nefasta
de Giorgio de Chirico
segue-me como sombra
sombria na noite fria
pintada a Joan Miró
na melhor noite
da solidão espasmódica da mulher
- dentro da vela da noite escura
no breu das trevas
com negro batom,
nigérrimo esmalte nas unhas
para arranhar a tez

Eu sou o homem!
- sou Giorgio de Chirico
em vasta e impensada solidão :
lancinante solitude noctambular!
Errante entre os noctívagos
vagos vagabundos vadios
errabundos vaga-lumes

Sozinho na vela da treva
navego no barco à vela negra
rompendo a treva espessa
guiado pela esguia enguia
que enche a barra da alva
na flor de laranjeira
que odora o ar
- que adora o vento
com sua fragrância
a incensar a brisa
em noite negra
na qual sigo impensável
a cavaleiro de mim
- no meu rasto
que é o único
que posso ver ou ler no chão
quer faça treva ou luz
preto no branco
do xadrez no claro-escuro
do dia e noite
vida e morte

Sou Giorgio de Chirico
em cada solidão pintada!
- e ninguém tem poder
para atravessar esta solidão espessa
entre mim e o mundo

Entre os outros seres humanos e eu
há uma barreira interposta...:
- inviolável fortaleza!

domingo, 25 de dezembro de 2011

AMBULACRO (wikcionario wiki wik wikdicionario wikipedia wiksource wapedia)

Passando por um renque de árvores
com pássaros cantantes
logo acima do cananeu
que não era eu
senti vontade de ficar ali
parar ali
para sempre
se a locução adverbial "para sempre"
existisse
fosse fato
e não ato pensante-pensado
e, concomitantemente, estivesse
fora do vocábulo
porquanto a existência está por fora
do outro lado da alma
espelhada em Alice
jogada e perdida no mundo
para onde foge o ser
na alienação do homem
enquanto a essência vai por dentro
roendo a vida com radicais livres
corroídos por anti-oxidantes

Quedar ali embaixo da ramagem
sentado no Buda
que sou
- que somos todos os indivíduos... :
Louco de pedra-pome,
doido varrido,
sentado em lótus
sob a alêia aléia alameda
álamo bulevar ambulacro...,
ó Manuel Bandeira!...
- senhor de tantas andorinhas!
mas que não obstante
tanta andorinha e tanto tamanduá-bandeira
não me ouve mais
porque extinto está
debaixo das ervas daninhas
sob pedra tumular
solo sobre o qual outrossim
não mais palmilha Drummond
pelo caminho da pedra
em meio ao caminho do pé
calcado no sapato torto
( o sapato velho é um torto anjo
que dá azo ao azar
e a bazar de quinquilharias )
Ambos os poetas
hoje são
o que não não são
nem tampouco estão sãos
nem são em São Petersburgo
nem ser nem santos
nem corre processo canônico
conquanto já jazem
em jazigos estão
abaixo da pedra do burgo
da pedra de Pedro
da pedra São Pedro
e da pedra que havia
a meio caminho do sapato
florido em Mário Quintana
escrito na carta de Caminha
a caminho das especiarias
e da pedra que é
o seu corpo desfeito
decomposto
na cal do osso
com o resto da alma
no sopro restante
presa nos ossos
entre ossos encerrada
sonhando com um soprador
um tocador de tuba
que a expire dessa flauta
na dança dos signos no ar
escritos em parábolas senoidais
bailarinas-musas no vento
Todavia tudo
o que descrevi
foi só um momento
que ficou engasgado no tempo
em pedra de descaminho
- para caminhar descalço
carmelita
sobre elas a caminho
para a planície do Esdrelão
- um instante de apedrejamento íntimo
( ou de liberdade cínica
- Total?!
Total só no ideal
no real não )

Foi num tempo para semear
tempo no semeador
que fiquei ali plantado
sob chuva
junto à aleia e as ervas
à sombra da alameda
doido de jogar pedra
- pedra a caminho
de Eras geológicas
profetizada em geóglifos

domingo, 4 de dezembro de 2011

DIREITO (wikcionario wiki wik dicionario filosofico cientifico online) )


O conceito de negócio jurídico desenha geometricamente ( todo desenho desde Euclides é geométrico, mensura e contém formas ideias de figuras delineadas com "lápis" sobre o perímetro dos corpos figurados, sendo a geometria abstracção do conteúdo e concretização da forma : ideia desenhada, concebida sem pecado, no jargão da Igreja, a "Mater e Magister" do indivíduo ocidental em assembleia : comunidade ) um ato, que, após desenhado (tomado em corpo hipotético : hipótese, sob a abstração dos signos da língua-escrita ou cantada em coro na tragédia comunitária com seus atores-personagens ou hipócritas, que somos todos em sociedade, porquanto o viver social é um conviviver que exige personagens rígidas, desumanizadas, varadas pela imaginação da baixa literatura de Agatha Christie e Conan Doyle e não da alta literatura de Dostoievski, Tolstoi, Dickens, Machado de Assis ) se põe no mundo enquanto fato consumado.Fato é sempre a consumação de ato ou atos enlaçados, trançados no vime, encadeados .
O negócio jurídico, aparadas as filigranas dos doutos, é um negócio como outro qualquer, apenas amparado ou estribado em lei, ou que se passa sob a forma prescrita em lei. Ritos do contato e do testamento.
Todo testamento é m negócio jurídico, inclusive o Velho e o Novo Testamento bíblico, que nos remete e destina a um legado e a uma herança social e, ao mesmo tempo, é um contato social da lavra de Rousseau e da exegese de Hobbes, no "Leviatã". Enfim, um pacto, o tal contrato genérico, que se presume universal, porquanto direito é mais presunção que realidade "cognoscitiva" ; se não for muita presunção, total presunção! E nada mais que isso, fora do rito imprimido pelo princípio da razão suficiente, que presunção bastante para se pensar e fazer de tudo com o outo, desde que esteja dentro do âmbito da lei, a nova deusa e tirana, o novo despotismo, que é novo somente na aparência .Porém antes da lei emergir, vem o costume, onde se funda, onde tem pé a legislação vigente e revogada, essas deusas e senhoras das gentes e dos indivíduos. Nossas Senhoras dos Pavores dos pobres e oprimidos, protetoras do ricos e poderosos! .
Lei não fundeada em costume é lei sem âncora, ideal romântico; contudo, tal romantismo traz no bojo algo de malícia ou até maldade ( perversidade social ) e candidez angelical , ou candidez na mensagem.Aliás, "a mensagem é o meio " e o anjo ( a lei é um,a mensagem, antes de tudo : carreia dois fardos, para dizer do corpo ou alma dicotômica do pensamento que aflora na comunicação da realidade-idealidade, na qual vive o homem em corpo, alma (sem alma ou vida soprada no oboé das narinas pelo anjo torto do vento em curvas sibilinas-sibiladas, em silvos de serpente na selva ou savana africana) e espírito (sopro hebraico, da língua hebraica na boca do hebreu).
O homem, enquanto indivíduo pobre e submetido, vive sob o que "vige" a lei, que é a expressão da vontade dos que detém o poder político, que é econômico, científico, jurídico : são todos os poderes de fato e de direito, conquanto não de direito puro, ideal, enquanto ideia não alienada no mundo dos donos da sociedade e suas pertenças, dentre as quais o direito é uma, as obras de arte outras tantas e assim as fêmeas e os direitos conquistados sob o gume da espada do direito, que se passa a chamar justiça quando alguns homens remunerados com soldos ou vencimentos de magistrados representam o povo rico, contra o povo pobre e miserável, que sobra em votos nas urnas e nos esgotos, junto aos ratos e ratazanas.
A sociedade sempre foi assim : campo de ignomínia. Leia o Velho Testamento!, sem olhos de ovelha ou pastor ou doutor : com olhos de homem e mulher livres, não alienados pela quantidade de dinheiro ou cargos e encargos sociais que pesam sobre as espáduas.
E se se fala em negócio jurídico é porque há negócios escusos, que turbam as águas claras do direito dos justos e lançam âncora no mercado negro, o qual explora a parte sombria do direito : o direito negro, que faz a sombra do mercado negro, onde sobrevive a grande maioria, mormente nos países de altos índices de pobreza e desigualdade sócio-econômico, ou seja, de injustiça.Onde a injustiça grassa, é uma peste endêmica-epidêmica.
A injustiça é a falência, não ideal, mas real, concreta, não da justiça, que "existe" apenas enquanto concepção pura, ideal, mas do ordenamento jurídico como um todo coordenado , que, assim posto e executado, cuspido e regurgitado, cobre todo o território da nação, estado ou pais , distorce o real em ideal, colocando leis belas, que são pura poesia ou odes aos direitos humanos, quando deveria ser prática e práxis social, não o ideal "nobre" e humanitário, mas a realidade nua e crua.
O mercado negro faz o direito negro e movimenta a injustiça, a qual constrói a sociedade, é a práxis social, que contraria o pensamento ideal do iluminista tardio : Marx. O mercado negro e o direito negro polariza a maniquéia que, destarte, movimenta o direito, através do morto em paradoxo.
A justiça e injustiça, o positivo e o negativo, o macho e fêmea são maniquéias que movem o corpo social e o corpo natural em função matemática-maniquéia infinita, no símbolo, que é o único infinito e o único nada, pois apenas é, mentalmente, e não existencial. O ser é mental, mas nem sempre é ente ou coisa na existência, fora da essência da mente geometrizante.
A doutrina do maniqueísmo, dual, não se exprime somente na tensão entre o bem e o mal, mas extravasa essas polaridades e cria outras polarizações. O maniqueísmo é a doutrina do conhecimento, fundada na inteligência do homem ou na leitura que o homem e o animal fazem da natureza. A sociedade e o indivíduo são efeitos da maniquéia, dessa inteligencia percebida em natureza e transformada pelo homem em conhecimento, o qual é uma parte ínfima da sabedoria ou do saber vigente na inteligencia do homem e do animal, fruto da natureza dada a todo ser humano, quer seja esse "humano" homem, animal, vegetal ou mineral.
Aliás, a sociedade funciona em maniquéia, é uma máquina maniqueísta, cujas polaridades se dá e se esgota nos choques que absorvem as individualidades, embates esses que levam aos contratos ou pactos ( sociais ), cuja função é regrar a luta, socializá-la, normalizá-la ou metamorfoseá-la nos esportes, que é um rito estritamente social, que cumpre função social, socializante, ainda quando o que exprime é, aparentemente, solilóquio, tácito, unilateral, tal qual as demais formas de socialização ; a saber :os dramas representados no teatro, nos tribunais, nas novelas, enfim, nas instituições sociais, no lar.

sábado, 3 de dezembro de 2011

ANABÓLICA (wikcionario wiki wik wikdicionario enciclopedia etimologia )


A Bíblia é a leitura do homem
da natureza do homem
ou da natureza presente
no ente que é o homem
( ente e ser molhado pelo respingo do tempo
em espigas abertas ao vento que cheira
e sopra o fole diretamente nos pulmões,
coração! )
No homem-mulher
( Mário-Maria
ou Mário-mulher )
enquanto mundo-visão
ou cosmovisão
em cada tempo
enxuto no corpo
ensopado
na intempérie
que o tempera
deveras

Poetas são seres-e-entes bíblicos
no que deixam de rastos
- rastros
nos profetas-escribas
debruados à cavalo ou a cavaleiro
em cavalo debruado selado
ou sobre o "lombo" daquilo
que às vezes uma vez é
outras vezes cem vezes,
mil vezes ou milhões-bilhões-trilhões-
quintilhões...
de vezes é
qual Sócrates em Platão
de uma vez só
em diálogos
ou Cristo em Evangelhos canônicos-apócrifos...
e Moisés no monte
em decálogos
de outra vez
ou outra feita
quando "era uma vez..."
de vez
o diálogo-decálogo
extenso por extenso na dialética
que move o estilingue
e a funda de David
( Platão é só Sócrates por escrito
dentro do envelope-livro em diálogos
reproduzindo no gramofone
para voz riscada a "lápis"
o canto de Melpômene
deusa que Hesíodo criou
em agonia de teogonia
- corpo e alma
espírito da música na tragédia
- Musa!
e ai! que musa esta!
cantada-cantata em coro
corpo de coro
corporificado no coro
e na mente filológica-filosófica de Nietzsche
que descobriu
desvelou
pôs a nu o espírito da música:
A música
ou a Musa
é o espírito da tragédia! )
( E o Jesus Cristo que conhecemos
é somente Cristo por Evangelhos
- um Cristo crítico no grego crítico
língua em crise filosófica
para retratar um dito Messias
somente lido-escrito em hebraico
e para hebreu de época
- não para vivos
em outro tempo
que o bíblico
quando texto era contexto )

Tudo isso é Bíblia
e mais por aí vai e vem
da barata
ao Mahabharata!

Nessa tensão que flete
da barata ao Maabharata
e antes da barata
no escuro
e depois do Mahabarata
também em poço escuro
da noite sem tempo :
a noite eterna
interrompida do seu sono sem sonhos
apenas pelos sonhos
dos que passam pela vida
( Será que somente o homem
tem um mundo onírico por dentro
e outro por fora?! )

Pós-tremor negro
a barata vai
do pó no pós-tremor
ao Maabárata
pois a Bíblia-vida
é um releitura constante do Mahabharata
mas principalmente
- da barata!
que escreve a vida
com genes e patas
(Traria o latim
uma alma de barata
com sangue de barata?:
"Blatta orientalis"
"periçlaneta americana"
"Supella longipalpa"
"Blaberus discoidalis"
"Eurycotis floridana"
"Parcoblatta pensylvanica"
ou será que o maabárata
desbarata a barata
ou malbarata-a
ao malbaratá-la em mau barata
num polar maniqueísta do mal
que não cabe na barata
mesmo quando é uma barata-tonta ?!)

Traz o mahabharata
a alma límpida da barata
que respira
no pistão do homem-mulher
a quatro mãos-narinas,
ó Marinas das orlas marinhas!
Marílias belas
amarilidáceas!...
Oh! sete-flores-com-trombetas-sopradas-em-cor-lilás!
( Lilás é o tempo
do ananás,
Ana
anaeróbica Ana
Anabólica
porém não diabólica
no pólen maquiavélico
com músculo-musa rombóide-robótico
na flor-de-lótus
Nenúfar-Monet )

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

PARCAS (wikcionario wiki wik dicionario wikdicionario wikipedia wapedia infopedia )

Minha infância
está toda contida
entre algumas palavras
Cabe num pequeno contingente
de vocábulos e gente
( Pouco léxico
mas muito México! :
Muito México para parco léxico)
Enfim, um exíguo glossário
Porém pode ser narrada
no inenarrável
contido no mundo-entre-vidros
erigido com as Parcas
fiandeiras à roda da roca
e do destino expresso
em palavras-chave
e palavas-gente :
Mãe-pai-ou-pai-e-mãe ;
minh'avó : minh'alma-de-infante;
irmã-irmão-outro-irmão-irmã...
- conte-os até sete!...;
e aí-só-então-antão
vem tia Tereza!
Tia Tereza
que criava uma menina
filha de minha madrinha
de cabelos negros-longos-retintos-lustrosos-lisos-luzidios-...
ferindo a cor-não-cor-cor-"unum"-anum-da-noite-madrugada-em-zum-zum-zum
com madeixas-de-ameixas
( Uma menina de beleza-branca-branda-esfuziante-esplendorosa
mais-do-que-a-rosa-em-roseira-e-espinho
cujo nome cubro com a rosa rubra...
com o cubo-da-rosa-cúbica-enraizada
e com o nome-da-rosa-plantada-em-jardim-medievo
para ampliar segredo segregado em degredo )
Aquela menina foi
depois de minha mãe
a primeira criatura feminina
a qual amei desde o berço
- desde que a vi
ao colo ou no berço
empós a barra-da-alva-do-amor-em-figura-geométrica-materna
amada no ventre
antes do Complexo de Édipo rei
Vi-a na primeira vez de ver
( olhar-de-vez ou imaturo
fruto não maduro
não-amarelo-elo-com-o-mundo
pelo viés do olho-de-bebê escanchado ao colo )
- no primeiro ato de olhar para fora dos olhos
antes velados
depois desvelados
nos olhos daquela menina
que olhavam e viam
antes da primeira dentição...
- olhavam para dentro
e viam para fora...
Vi-a via à luz da fotografia na retina
( Via Apia! )
no olho-todo-gordo-irisado!...
Porém não sei ao certo
se ao colo ou ao berço
estava ela
bela-bela-tela-de-Modigliani-
bela-umbela-bela-singela-beladona ("Atropa belladonna" )
presa à teia-de-aranha-de-minha-pupila-dilatada
pela beladona nela
e em efeitos em mim
pois uma bela mulher
mesmo em criança
controla os destinos dos homens
enquanto Parcas
na plenitude da juventude
- tempo em exercem
poder absoluto sobre os homens
( são plenipotenciárias )
consoante entoa o canto da poesia grega
que agrega ciência-e-mitologia-e-filosofia
num só sentir-pensar em dianóia-noética
Sei que a vi
que ela despertou-me olhos e olhar
de-dentro-para-fora-e-de-fora-para-dentro
em reciproco maniqueísmo
que pervade toda ciência-do-conhecimento
e talvez penetre fundo
na raiz da sabedoria insondável
Entrementes não me lembra
se estava em berço de ouro
ou ao colo de tia Tereza...
Penso ou imagino que já é muito
evocar o que lembro
em primeiros-tempos-de-vida
para ambos os recém-nascidos
dos quais ainda ecoavam os vagidos pós parto

Não obstante me recordo plenamente
deste primeiro olhar de amor
- olhar cruzado
entre duas crianças
que se apaixonaram imediatamente
no tinir das espadas-adagas do olhar
ao se entrechocar
com a matéria-energia ondulatória da luz
retinindo em ambos os olhos
em quatro-quádruplo-não-quadrúpede
ao som do evento do encontro
de dois amores recém-nascidos
- e ao primeiro olhar!
- dado ao bem-me-quer!...
bem-me-quer...

Trago comigo a memória
( à flor-morta-da-memória )
desta paixão em primícias
Contudo, como as primícias são do Senhor...
Elohim colheu aquele incipiente amor
em oferenda agradável
levada ao altar servido pelos levitas )

terça-feira, 25 de outubro de 2011

geoglifos ( wikcionario wiki wik dicionario infopedia encilopedico etimologia )


Uma língua de geóglifos
está escrita no pássaro
- está escrita no poeta
mas o homem
nem a pode ler
graças aos seus apodos
- graças à sua garça
"Stela" bela
- beta na manhã
alfa à noite

Um idioma em geóglifos
nem pode ser lida
no logos do homem
Somente pode ser ouvida
lida e escrita
na literatura do poeta
que dá à ciência
um pouco de esmola
em vocábulos polifônicos
na terminologia de Goethe
ou Dostoievski ou Modigliani
dentre outros poetas
oriundos do fundo
- do mais profundo
das várias línguas
que são linguagens
metafísicas ou matemáticas
cuja poesia
não pode ser escrita
pintada ou esculpida
senão na alma
do ornitorrinco e do ornitólogo
do macuco e do maluco
que é o homem
( - e somos nós! )

A língua geoglífica
é haurida do cosmos
Os poetas têm acesso
contudo não podem escrevê-la
na sua poesia
mas apenas na sua alma
porquanto é um código
praticamente intraduzível em outro idioma
apenas passível de versão
em outra linguagem
( A aventura de traduzir
tal língua em vernáculo
ou em qualquer outro código linguístico
ou de linguagem
é algo assim como fazer tradução
do galo para o francês
ou do francês ao galo
- da antiga Gália
onde vivia o gaulês
no geodo do corpo
escrito com genes
que são um código de comunicação em geóglifos
- um dentre infinitos
se há ao menos um infinito
em linguagem matemática-algébrica
que pensa o todo
e mais que o todo :
o infinito
e o nada
que denega tudo
nos atos dos matemáticos
- apóstolos dos poetas )

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

JOAN MIRÓ ( personajes en la noche, personajes en la noche guiados por los rastros fosforescentes de los caracoles ,wikcionario )


A lua assomou sobre o Edifício Flamboyant
como se fosse um chapéu
sobre a mole
um adorno feminil
compondo-se com os cabelos negros
de uma mulher bela
- na cabeça da beleza da noite
em noturno pianíssimo
( A noite é a segunda beleza
depois da mulher
ambas carregando no ventre
a pura poesia
do eterno feminino de Goethe )

A lua cheia
banhada no amarelo ouro
- o plenilúnio
pairando sobre a terra despojada do filão das minas gerais
- filão de ouro e ferro e trem-de-ferro
e ferrete e sais minerais
e outros minérios e minerais de ferro e ferrugem
ferruginosos
óxido de ferro
- tudo assente na terra e no dente do gentílico /
pois a terra tinha tantas minas com filão
que cabia na boca e dentes das gentes
animava o sorriso áureo do garimpeiro
- do mineiro matuto
do tabaréu e da tabaroa
bem como no nome de Minas Gerais /
- atual estado de alguns eleitos para tal empresa
porquanto estado no Brasil ainda significa feudo
na prática práxis axial do vocábulo
ou não o que diz o vocábulo
mas o que manda dizer
o dono da voz e vez
porque aqui ainda funciona o moinho medievo
É genético
não tem muda
está no vegetal do homem
entranhado no sistema nervoso vegetativo
- tudo transitando transido de medo
entre a casa Grande e a Senzala
que este é o Brasil social perene
lido e escrito em genes
( está no genoma )

Portanto, mineiro, pegue a bateia
e vem atrás das minas gerais
ser mineiro
- vem ser mineiro!
conquanto cônscio
de que os governos
sempre roubam o quinto do ouro
a história antiga sendo reescrita perenemente
por sobre o pergaminho ou papiro ou papel
da história das minas nos quintos dos infernos
quando mandava El Rey de Portugal e Algarve
Hoje continuam a levar do povo
até o "quinto dos infernos!"
se pudesse existir alguma fração matemática
para designar o imaginário inferno de Dante
um poeta que entrou no inferno em busca da bem-amada
assim como já o fizera Orfeu
inveterado lírico cantor
cheio de candor no amor
- galo cantor
na zoologia enquanto instância da ciência
e da zoomorfia ou antropozoomorfia
enquanto deus
na pele de Anúbis
que ilustra bem o antropozoomorfismo
que poesia um deus no mundo
- pois poetizar um deus no mundo
é o mesmo que postar
- postá-lo nas aras e no saltares
e no livro dos mortos
- que sempre é o livro dos poetas!

A onomástica da terra veio pelo veio das mimas
então gerais demais
- então minas gerais
nome originário do veio da terra
porquanto o que nomeia a terra
diz da etnia e do povo da terra
e dos andarilhos e arrivistas
que vieram tomar o território aos indígenas
com grandes bandeiras e espadachins
cuja destreza leva a mão a escrever
a história da vitória de Samotrácia
- que a história é sempre do vencedor
que a escreve sobre o pó e com o sangue dos mortos
aos olhos vermelhos dos demônios
a espichar o rabo
até a cauda do fauno
abarcando vida e morte
o preto no branco
o dia na noite
o xadrez no tabuleiro

Somente com os passar do pó dos séculos /
depois que o tempo vira pó de madeira nativa /
( o tempo é a parte móvel do espaço ) /
sai dos alfarrábios para os olhos dos sábios /
desenhado com o dedo na poeira local
da vida que foi alfa um dia
cintilou em alfa do centauro
para a vida que é agora
quando o espaço empurrar um outro pedaço de espaço /
que se desloca paulatinamente /
formando o tempo
ou o conceito do tempo
ou a intuição do tempo
conforme o tempo seja o temo real
dado no mover do espaço
ou o espaço filosófico de Kant-Shopenhauer
que é um sentido interno no homem
Dessa espécie de erosão espacial /
que se passa na mente ou em natureza
nasce o tempo /
que é movimento de parte do espaço /
movido a torque de algum motor /
que se moveu primeiro /
depois do motor originário /
( o motor de Aristóteles )
- motor, portanto, que se moveu segundo /
( e não primeiro, mas segundos antes /
segundo os Evangelhos e os escritos no Tanakh e Corão /
e em tudo que é santo e sábio livro ) /
- motor movido a trilhões de anos após o movimento originário /
cujo movimento ocorreu antes das estrelas /
das cefeidas e anãs brancas /
azuis amarelas vermelhas castanhas
- antes da eclosão do universo /
antes do segundo motor /
escrito no espaço /
descrito no tempo /
- motor descritor
lido prensado nos alfarrábios dos rabinos
( Ao ler o alfarrábios /
os eruditos inteligentes provam apenas o sabor dos signos nos significados /
enquanto eruditos simplórios se enterram sob sete palmos de signos
mortos com os mortos
despidos do contexto de alma e tumba )
Os sábios, entretanto, provam diferente do vulgo ignaro /
parvo parcial parco e patético /
pois detectam pelo gosto /
a história em pó nos alfarrábios /
(onde os mortos vivem em signos e micróbios
conjuminados com ácaros traças carunchos... ) /
e a relação que mantêm com a história escrita no alfarrábio lido /
é tal qual como se fosse o ato de degustar a fruta do pequi /
fresca e viva no sabor amarelo de outro ouro da vida /
numa curva que alonga o amarelo das abelhas /
- amarelo em mel e listas rajadas no abdômen /
que prova o gosto originário da terra /
em seu amarelecer para outono /
transformando o sabor nativo da terra /
em sapiência /
gosto da terra /
e do ser humano sobre a terra /
na história que a terra escreve nas frutas /
nas abelhas e nas flores /
e no homem ali nativo /
irmão dos vegetais e dos animais /
filho da terra e d água que erodiu a terra /
juntou o arenito e fez o ser humano /
ao gosto da laranja da terra
- o ser humano cuja história primeva
foi escrita em seu corpo com geóglifos
antes dos escribas por em sânscrito
hebraico grego e latim
- o homem em hieróglifos
posteriormente em demóticos
e por fim nas línguas alfabéticas
- grego e latim
que o homem moderno
desde a história das línguas
que narram e pensam as histórias dos homens
das línguas alfabéticas
está descrito e pensado e grego e latim ) /

Sobre o flamboyant /
( "Delorix regia" no latim invulgar ) /
flor-do-paraíso e pau-rosa /
na voz corrente do vulgo /
dispensada suposta malícia das brasas do pau-brasil /
no pau-rosa que não evoca a rosa em cor e flor /
nem a candura da acácia rubra /
na cor da face em carmim da moça dente-de-leite /
ou do varão no dente-de-leão /
- erva daninha bravia pelos caminhos silvestres /
aonde não anda pedestre ou quaisquer transeuntes /
que não os silvícolas de antanho /
tempos em flor para a palavra fulô /
desabrochar o "logos" da flor ) /

Sobre a mole do Edifício Flamboyant /
a lua tal qual uma chapéu de palha pintado no amarelo da lua pia /
adorna a cabeça do enorme prédio /
como se fora o sorriso do gato de Alice /
arrastada lá do País das Maravilhas /
para o lugar onde a clareza dos montes é só metáfora /
ou cuja toponímia é um exônimo para designar lugar em Portugal
que em Portugal afiançam alguns
existiam uns montes
que designavam de claros
- Montes Claros

No mês quadriculado por quadrilhas de junho de Santo Antônio /
onde abundam quadrilhas e fogueiras e fogos de artifício /
e fogo-fátuos e bandeirolas a ataviar os espaços no tempo /
de São João e São Pedro /
que ainda andam mansos e santos na sua mansuetude /
pelo meio do povo simplório em suas manifestações /
- do povo das Minas Gerais /
na santa terra prometida em filão de Minas Gerais /
para onde peregrinou um arameu errante /
que veio de longe e de antes /
- muito antes que o tempo formasse o pó /
que é o espaço de hoje do corpo /
entre imaginários montes
vislumbrados no horizonte
( ou seja, longe!
de uma longura idílica
como o amor romântico
e o barco no rio
com o pescador
descendo pelos cachos dos cabelos da cachoeira cantante
- cantarolante )
da terra abençoada com pequi no pequizeiro
onde sobe o homem da poeira ao rés-do-chão
para formar o corpo humano do nativo
com a energia de fogo do sol
que coze o homem
e assim torna esse ser
mera cerâmica industrializada pela natureza
onde sobeja o pequi cozido com arroz
- sápido e amarelo-pequi em nuance
matiz por um triz!
planta e fruta que dialoga com a língua anatômica e fisiológica
sobre o gosto da terra
e narra estórias vegetais
e também diz do "logos" geológico da terra
à sombra do vale entre as montanhas de Minas
- minas sempre gerais pelos campos gerais /
que miram a serra do espinhaço /
e os arbustos floridos de roxo /
na beleza plena do ipê roxo /
que circula quedo e mudo /
como se fosse uma baiana rodando a saia /
na escola de samba /
Acadêmicos do Salgueiro /
estação Primeira de Mangueira /
ou num Império Serrano com anum
mais extenso que o romano /
ao menos na parábola-palavra do aedo /
sem medo de arremedo
ou do anum negro que firma a casa da noite

Subindo para os morrinhos /
ao pé do morro /
sonhando com o Santo Graal /
vi a lua assomar com face amarela
entre o Edifício Flamboyant e Deus /
A lua interposta entre Deus e a mole do Edifício
- vi-a na vida antes de codificar o ato de olhar palor de luar /
em noite na qual pensava na mulher /
que Joan Miró concebera numa obra de arte pictórica /

Em uma noite em que pintara Joan Miró
a mulher que amo!
arrancada em raiz herbácea do surreal
- aquela que somente vive em segredo e degredo de alma
dentro de mim
escondida do mundo
arredia na ermida do rocio
ou antes do orvalho fazer catedral
templo para corpo humano
onde os cavaleiros negros do apocalipse galopam
mas não chegam nunca
porque lá o espaço fica
entre a lua falciforme negra
e o espaço guardado pelo anjo do senhor
- anjo de mau a pior
de anjo a demônio
cavalgando um corcel amarelo
- cor do trigo da fome no Apocalipse /
dos quatro cavaleiros andantes /
arrostando moinhos de vento e moleiros moles /
cuja armadura é a mole do edifício Flamboyant
onde uma pá de moinho roda /
pelo toque das mãos do vento /
que move moinhos
( ventos são partes do espaço /
que se quebraram do todo espacial /
e se transformaram em porção móvel /
- quinhão denominado de tempo /
pois tempo é espaço móvel /
ou parcela do espaço estagnado /
que se partiu e se tornou espaço em movimento )

A lua que eu olhava era circular /
ovalada ou elíptica como sói dizer o físico /
para por o "logos" no jargão da física /
que quantifica a luz na constante de Planck /
( Quão em quanta se mensurou o espectro da luz do corpo negro! /
após a catástrofe do ultravioleta /
naquele momento em tese! /
não do momento, mas da tese /
na equação literal pela borda da álgebra!... ) /

Entrementes cismava eu com a mulher nada imaginária /
( e toda imaginação! )
furtada por uma água-furtada de autoria de Joan Miró /
que do ( quedo?) quadro do artista célebre /
fugisse amazona sobre um alazão ou égua abstrata
para dentro da noite escura nada abstrata
- noite acolhedora em trevas a vestir a mulher negra na noite /
trajá-la com vestes talares nigérrimas /
àquela deusa originária da água da placenta /
que um dia ou em outra noite /
desidratada cairá no pó da terra /
como pó de terra /
anjo decaído /
ser humano morto /
no retorno ao húmus /
na volta ao ventre da terra /
excetuada a mulher que Miró pintou /
imortal na tela mental /
protegido de bactérias carunhos e ácaros /
pelo tempo que tem no abstrato /
o anjo da guarda como relicário /
depositário fiel dos tesouros da inteligência /
encontradiços no museu do Ancião dos Dias /
( A vida goteja na decrepitude )

Pensava eu na mulher dentro da noite /
quando olhei a lua a banhar de amarelo-sertão a mole do edifício /
e a poesia aqui e ali plasmada nasceu em minha alma /
naquele e neste momento
( nunca é neste o momento!
- o tempo nunca é no tempo
pois o presente é fugidio
e tem mais tempo na lembrança
do que no momento-minuto
ou na hora do cuco sair alardeando no relógio suíço )
- momento ainda em idéia a caminhar
caminheira na estrada
- caminhão!
a cavaleiro negro da mole do edifício /
( cavaleiro negro laçado no apocalipse! )
antes de vir parar à cova aqui cavada nestes versos mortos nesta escrita /
ao descrever a mulher pintada pelo artista catalão /
que a pôs em tese na tela /
( redundância no vernáculo para designar lugar ) /
dentro da noite em obra pictórica /
sobrando nas sombras da noite /
nos meandros da alma /
e fora do espírito que olha /
a noite tingir o dia de trevas bastas /
em cabeleiras compridas /
ocultando a face feminina da noite /
sob um véu negro de cabelos longos /
- a mulher polifônica
minha em poesia e de Joan Miró em tela
escrita e desenhada
pintada na surrealidade
pela paleta do artista
e os signos e símbolos do vate
a cantarolar uma barcarola ou uma berceuse
par um riacho rolar seixos
e a criança amada pelo líquido do sangue
que enlaça os mares do corpo humano
( Amor está na corrente sanguínea! )

Todavia eu ia encontrar-me com outra mulher /
que nem era mulher ainda /
porém apenas ( se isso tudo é apenas ou tão-somente ou uma nonada ) /
- tão-só uma menina-moça de quatorze anos /
tão só!
- e tão só quanto a minha solidão
máxime em Robinson Crusoé em solitude na ilha /
que é o homem e a mulher em corpo humano
e corpo de ilha respectivamente
( corpo de ilha é terra
igual corpo de homem )

Ah! solidão e solitude!...
similar à solidão e solitude
que feria a menina
dentro da qual
havia um mar vermelho
que corria para o amor
- que amor é sangue
está no sangue!
- mar vivo
contraposto ao mar morto
à marmota e ao mármore
no qual Micheângelo ou Rodin...

( Insulado é o corpo humano /
fechado em si para a vida /
Hermética ilha a vida em seu interior /
ou seus inúmeros interiores físicos, químicos, eletromagnéticos,
espirituais ...
os quais trancam o castelo feudal
com ponte levadiça
abrindo a flor em racimo apenas ao espírito pensante
à alma filosofante que doa amor
ao rapsodo que recebe... )

Sob a perspectiva filosofante da obra de Joan Miró /
naquela noite que eu imaginava ser uma mulher pintada pelo artista /
( e não uma noite propriamente dita ) /
apenas minha filha andaria comigo /

Ela estaria junto ao meu caminhar /
na melhor parte do meu caminho sob lua /
abaixo do luar balouçante /
móvel lua similar a um gato sorridente /
no escuro que faz tez da madrugada /

No seio daquela noite pintada pelo palor do luar /
que no novilúnio não é lívido /
não é de uma lividez que vai ao amarelo macilento /
pálido amarelo do vampiro inexistente /
imagem tétrica da noite /
representada como ser humano /
conquanto morto-vivo /
sem o sol regando a diva anterior aos cabelos louros da aurora semi-desperta /
mas com a lua e as estrelas notâmbulas /
caçando morcegos e corujas pelos coruchéus /
sempre, entretanto, contíguo ao alvo que corre no leito ou álveo do leite /
da terra que mana leite e mel de abelha amada no favo /
com flor de laranjeira para o amplexo na barra da alva /
favo engasgado e engastado em abelha /
engaste da abelha-rainha /
uma gema-viva e mais preciosa /
que o tesouro do mel /
- arroio suave originário do néctar da flor...
Em perene canto de aboio
- o arroio...
descia a madrugada

Andarilhos à sombra imensa da noite /
sabíamos que somente minha filha teria genética /
para me seguir por aqueles ínvios caminhos de peregrinos /
dentre os quais ela buscaria comigo a mulher dentro da noite /
não a mulher de Miró integral no corpo de trevas noturnas /
mas apenas uma mecha do cabelo da mulher virtuosa /
essa safira ou preciosa ametista /
pérola negra esmeralda turquesa turmalina /
porquanto a mulher virtuosa é um ser quase mitológico /
se não fosse tão simples assim /
como um unicórnio /
( o unicórnio alegre de Salvador Dali
- unicórnio surreal, surrealista
sustentado no universo surrealista do pensamento...
- que pensa o sonho
um jardim para o vegetal
- o onírico vegetativo pensante
no sistema nervoso
que envia mensagens ao corpo humano
e ao corpo do unicórnio surreal
ou mitológico mítico...
- mito que cavalga rito!... )
um ser no meio do existente /
- meio existente no meio da vida /
em meio ao meio ambiente /
porém ser apenas na fauna do cérebro humano /
e não ser existente na realidade natural /
( fora dos fatos naturais /
presente e existente somente dentro do cérebro /
e como símbolo da mente /
que criou o unicórnio /
como Deus criou o homem e a mulher /
para além do meu cepticismo estúpido /
que existe ao sabor do pensamento imaginativo do homem /
dentro desse mundo interno ) /

Enfim, uma mulher bíblica/
já quase inexistente ou em extinção /
devido à ação predatória do homem /
alienado em mídia ou empresa /
ou outros monstros e ogros tais /
da alienação do pensamento turvo /
- torvo corvo estorvo /

Pela mulher dentro do corpo da noite /
em parábola de Joan Miró /
- na alegoria do artista /
a mulher que é a deusa /
na pele da noite /
noiva da consciência em tez negra /
vencendo a foice com que a lua se transmuta /
simbolizando o carrasco em forma de sociedade-foice /
( a lua desenha símbolo?!) /
- derribando com a guilhotina /
a cabeça da mulher virtuosa /
mas deixando ainda vivo /
por alguns minutos sexuais /
minutos finais de atividade elétrica
o corpo da fêmea /
que é semelhante /
não a Deus /
( às deusas gregas e romanas
do antigo museu do surrealismo grego... )
porém aos animais no cio /
para pasto de faunos e sátiros /
de mundo irreais para a paixão /
que odeio no cristão /
não obstante amar no pagão /
românticos surrealistas...:
surreais românicos!

A mulher em Joan Miró /
pura poesia é /
mas fora dele também /
- é poesia mais vasta /
ao se por no mundo /
ao por seu ser feminino no mundo /
aberto aos campos e prados vastos da filosofia /
que pesca e pesa mentes dentro de cérebros /
peixes em águas profundas /
- pesados cavalos-marinhos
sem cavaleiros ou amazonas a montar
livres no seu vegetar
e na sua pensante-vegetante filosofia
do real ao surreal